sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Exercícios de variedades linguísticas

As variedades lingüísticas

Você se lembra desta música do grupo Mamonas Assassinas? Leia o texto:

CHOPIS CENTIS
Eu "di" um beijo nela
E chamei pra passear.
A gente fomos no shopping
Pra "mode" a gente lanchar.
Comi uns bicho estranho, com um tal de gergelim.
Até que "tava" gostoso, mas eu prefiro aipim.
Quanta gente, Quanta alegria,
A minha felicidade é um crediário nas Casas Bahia.
Esse tal Chopis Centis é muito legalzinho.
Pra levar a namorada e dar uns
"rolezinho",
Quando eu estou no trabalho,
Não vejo a hora de descer dos andaime.
Pra pegar um cinema, ver Schwarzneger
E também o Van Damme.
(Dinho e Júlio Rasec, encarte CD Mamonas Assassinas, 1995.)


1. Nessa música, o grupo intencionalmente explora uma variante lingüística. Para isso, cria uma personagem que teria determinadas características de fala.

a) No primeiro verso (linha) da canção, foi empregado "di", em lugar de dei. Esse erro é muito comum entre crianças que estão aprendendo a falar, porque há outros verbos na língua com som parecido. Cite dois outros casos de verbos que terminam em i quando queremos indicar um fato passado.

b) No terceiro verso, temos uma construção que está em desacordo com a norma culta. Identifique-a e reescreva-a em língua culta.


2. Pouco sabemos sobre a pessoa que fala nessa música, mas, por algumas pistas do texto, podemos imaginar. Na sua opinião, qual deve ser:

a) o grau de escolaridade dela?
b) a profissão?
c) a classe social a que ela pertence?
d) os filmes a que normalmente ela assiste?


3. No 3o. verso da 3a. estrofe, é empregada uma gíria: "uns rolezinho". Imagine o sentido dessa expressão, a partir do contexto.


4. Existem alguns termos na letra da música que também podem nos dar pistas sobre a origem da pessoa que fala na música: "mode" e "aipim". Em que região do país esses termos são popularmente empregados?

5. Criar um diálogo onde seja explorada a variedade linguística.

Português padrão e não padrão

Durante uma visita de férias a casa de sua tia Irene, Vera e suas duas amigas, Silvia e Emília, conhecem Eulália. Eulália, uma senhora simples que trabalha para tia Irene, foi alfabetizada já adulta e se expressa verbalmente sem observar estritamente as regras da gramática normativa. Esse fato causa estranhamento às três moças vindas da cidade de São Paulo e serve de ponto de partida para as lições que as garotas receberão de Irene, lingüista aposentada. Ao confrontar a reação zombeteira das moças ante os hábitos lingüísticos de Eulália, Irene traz à discussão questões como preconceito lingüístico e ideologia.Marcos Bagno, mediante esta novela de cunho didático apresenta de forma clara e acessível alguns conceitos da sociolingüística, tais como a noção de variação e mudançalingüística e fenômenos como redução de ditongos, processo de rotacização e arcaísmos no português do Brasil. O livro revela-se como ferramenta importante para uma reflexão mais ampla sofre o papel social da lingiagem verbal e a relação entre língua e poder. Indicado pra estudantes iniciantes de Letras e todos aqueles que desejam conhecer um pouco mais sobre esse ramo da lingüística que se ocupa da linguagem que efetivamente é utilizada pelos membros dos diversos estratos sociais.







A Teresa, da turma 64, escolheu outra variedade coloquial: a linguagem típica do interior. Ficou muito bom!- E aí, pião, que ocê tava fazenu?- Ah, Rordigu, eu tava montando naqueli cavalo, sô!- Aqueli lá



que nóis tava falanu otro dia?- É, aqueli mesmo, o Pertinho. Corri mai rápidu cuma raposa, sô!- Ah... um dia vô vê essa belezura!- Então, Renato, o que você tem feito?- Eu tenho montado no meu cavalo.- Aquele sobre o qual nós estávamos falando outro dia?- É sim, o Pretinho. Ele corre muito!- Um dia quero conhecer esse cavalo.



NORMA PADRÃO-Olá, chefe, você me chamou?-Chamei, sim, Edu. Eu tenho um trabalho para você fazer.-Qual seria o trabalho, chefe?-Eu vou pedir para você refazer o trabalho do Almir.-Chefe, sem querer ofender, mas o trabalho dele está ótimo!-Eu sei, é só para você fazer alguma tarefa...Varidade INFORMAL-E aí, maluco, pediu pra eu colá aqui?-Pedi sim, truta, tenho um trampo aí pro meu chegado.-Que trampo seria, meu querido?-Eu vou falar pra você fazer de novo o trabalho do truta ali.-Mano, você me chamô aqui só pra fazê um trabalho que já tá feito?-Eu sei, é só para o meu querido trabalhar...


Língua (Usos culto, coloquial e popular - gíria)

A língua é um código de que se serve o homem para elaborar mensagens, para se comunicar. Existem basicamente duas modalidades de língua, ou seja, duas línguas funcionais:
1) a língua funcional de modalidade culta, língua culta ou língua-padrão, que compreende a língua literária, tem por base a norma culta, forma lingüística utilizada pelo segmento mais culto e influente de uma sociedade. Constitui, em suma, a língua utilizada pelos veículos de comunicação de massa (emissoras de rádio e televisão, jornais, revistas, painéis, anúncios, etc.), cuja função é a de serem aliados da escola, prestando serviço à sociedade, colaborando na educação, e não justamente o contrário;
2) a língua funcional de modalidade popular; língua popular ou língua cotidiana, que apresenta gradações as mais diversas, tem o seu limite na gíria e no calão.
Norma culta
A norma culta, forma lingüística que todo povo civilizado possui, é a que assegura a unidade da língua nacional. E justamente em nome dessa unidade, tão importante do ponto de vista político-cultural, que é ensinada nas escolas e difundida nas gramáticas. Sendo mais espontânea e criativa, a língua popular se afigura mais expressiva e dinâmica. Temos, assim, à guisa de exempliflcação:
Estou preocupado. (norma culta) Tô preocupado. (língua popular) Tô grilado. (gíria, limite da língua popular)
Não basta conhecer apenas uma modalidade de língua; urge conhecer a língua popular, captando-lhe a espontaneidade, expressividade e enorme criatividade, para viver; urge conhecer a língua culta para conviver. Podemos, agora, definir gramática: é o estudo das normas da língua culta.
O conceito de erro em língua
Em rigor, ninguém comete erro em língua, exceto nos casos de ortografia. O que normalmente se comete são transgressões da norma culta. De fato, aquele que, num momento íntimo do discurso, diz: “Ninguém deixou ele falar”, não comete propriamente erro; na verdade, transgride a norma culta. Um repórter, ao cometer uma transgressão em sua fala, transgride tanto quanto um indivíduo que comparece a um banquete trajando xortes ou quanto um banhista, numa praia, vestido de fraque e cartola. Releva considerar, assim, o momento do discurso, que pode ser íntimo, neutro ou solene. O momento íntimo é o das liberdades da fala. No recesso do lar, na fala entre amigos, parentes, namorados, etc., portanto, são consideradas perfeitamente normais construções do tipo:
Eu não vi ela hoje. Ninguém deixou ele falar. Deixe eu ver isso! Eu te amo, sim, mas não abuse! Não assisti o filme nem vou assisti-lo. Sou teu pai, por isso vou perdoá-lo.

Língua escrita e língua falada. Nível de linguagem
A língua escrita, estática, mais elaborada e menos econômica, não dispõe dos recursos próprios da língua falada.
A acentuação (relevo de sílaba ou sílabas), a entoação (melodia da frase), as pausas (intervalos significativos no decorrer do discurso), além da possibilidade de gestos, olhares, piscadas, etc., fazem da língua falada a modalidade mais expressiva, mais criativa, mais espontânea e natural, estando, por isso mesmo, mais sujeita a transformações e a evoluções.










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quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Variedade Linguística


Hoje sabemos que não existe apenas uma forma de falar ou de escrever, existem várias, e a elas podemos chamar de variedades linguísticas.
A língua não é usada de modo homogênio por todos os falantes. O uso da língua varia de época, classe social conforme a situação, a pessoa pode usar diferentes variedades.
A escola precisa entender que o aluno chega lá falando o português de sua comunidade, que geralmente é uma variedade não padrão, e o papel do professor é acrescentar e não substituir a norma culta da língua ao aprendizado da criança. Infelismente somos um país em que boa parte da população não tem acesso a educação. E com isso muitas pessoas não conseguem usufruir de todos os seus direitos, exatamente pelo fato de não conhecerem o português padrão.